Portal do Governo Brasileiro

  • A A A


  • IFC Camboriú debate inclusão e políticas públicas em Encontro de usuários de cães-guia


    sitePeludinhos, focinhos gelados e um debate sobre cães-guia. Foi com essa energia que as pessoas com deficiência visual e interessados participaram do II Encontro de usuários de cães-guia, realizado no Instituto Federal Catarinense (IFC) – Campus Camboriú.

    Para começar o debate, uma mesa-redonda com treinadores e instrutores de cães-guia, estudiosos do  assunto e usuários da tecnologia discutiram sobre o comportamento dos animais, divulgação do tema e a adaptação das duplas (cão e cego). Confira:

    Relação entre homem X cão

    Dentro da temática “relação entre homem e animal”, a antropóloga Olivia von der Weid contou aos participantes os aspectos principais que serão abordados em sua tese de pós-doutorado envolvendo estudos realizados no Centro de Treinamento de Cães-guia do IFC. Logo após, a instrutora e treinadora, Diana Cuglovici Abrão, ressaltou que em todo o processo que envolve um cão-guia, o animal experimenta o mundo de uma diferente, assim como o cego. Diana, que também é servidora do campus de Muzambinho (Minais Gerais/MG) e estudiosa do comportamento animal, acredita que, com esse processo, está sendo construída uma nova forma na escala evolutiva da relação “homem-cão”.

    Repercussão “cães-guia”

    A presença da professora Olga Solange Herval Souza e seu guia “cãopanheiro” Darwin, trouxe a tona o caso ocorrido em fevereiro de 2017, quando Olga estava na praia de Balneário Camboriú com o cão-guia e um policial solicitou que ela se retirasse da areia, após reclamação de outra turista, incomodada com a presença do cachorro na praia (relembre aqui). Apesar do constrangimento, o instrutor e treinador, Leonardo Goulart Nunes, e a professora destacaram a importância da repercussão positiva do caso como uma forma de divulgação para um grande número de pessoas. “Aconselho a todos os usuários da tecnologia assistiva para que sempre tenham todos os documentos em mãos: carteira de vacinação, atestado de saúde em dia, carteirinha do cão, além da Lei federal nº 11.126/2055 e o Decreto nº 5.904/2006, que asseguram o direito do ingresso e permanência do cão-guia, instrutor e treinador ou voluntário socializador em qualquer ambiente de uso coletivo”, destacou.

    Em breve: mais cães-guia por aí

    Em relação às novidades do Centro, o instrutor e treinador, Carlos Eduardo Rebello, revelou que até o final do ano o IFC terá, em média, de 8 a 10 cães para realizarem a adaptação. “Ainda no mês de maio, vamos começar duas formações de dupla e, em junho, também estão previstas mais duas”, afirmou.

    Mesa-redonda: contribuição à organização e políticas públicas

    Para iniciar o debate a respeito da organização e políticas públicas, o diretor-geral do campus Camboriú, Rogério Luís Kerber, fez um panorama sobre a atual conjuntura vivenciada pelos Centros no país. “Atualmente, temos em funcionamento os Centros de Camboriú e o do Campus Alegre, no Espírito Santo. Os demais estão com a estrutura física pronta, porém aguardando recurso para começarem os trabalhos”, destacou.

    Na oportunidade, o presidente da Escola de Cães-guia Helen Keller, Enio Gomes, também falou sobre os desafios enfrentados pela Escola para se manter em funcionamento. Jairton Fabeni Domingos, presidente da Federação Catarinense de Cegos e usuário da cão-guia Alegria, contou a sua história e luta de 16 anos para conseguir ter a tecnologia assistiva. “Depois que recebi da Helen Keller a minha companheira Alegria, consigo ver o mundo de uma forma diferente, com mais liberdade e autonomia”, destacou. O presidente da Federação se colocou à disposição dos usuários e das instituições para estimular o debate para a mudança de políticas públicas na área de inclusão.

    Próxima chamada pública para cadastro de interessados em cães-guia

    Durante o Encontro, o diretor-geral do IFC Camboriú, Rogério Luís Kerber, aproveitou para contar aos participantes que, em breve, estará aberto o cadastro regional para interessados em ter um cão-guia. “Por enquanto, estamos aguardando os trâmites legais na reitoria, divulgaremos assim que tivermos tudo definido. A ideia para o próximo cadastro é que ele fique aberto por tempo indeterminado, ou seja, o candidato poderá se cadastrar a qualquer tempo”, finalizou o diretor-geral.

    O II Encontro de usuários de cães-guia também contou com a interação entre os participantes, humanos e caninos, discussão sobre associativismo entre os usuários e oficina de origami.

    Confira as imagens do evento: